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VOU COMER A SOPA TODA (MARATONA DIA 1)

por The Cat, em 09.01.18

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Há pessoas que ficam para sempre registadas na sebenta da nossa história.

O meu treinador é uma dessas pessoas.

Conheci-o apenas há um dia.

Mas, alguém que treina atletas de alta competição e se disponibiliza para preparar um jornalista para uma maratona, sem pedir nada em troca é alguém que está pelo bem, pela ajuda, pelo amor à corrida.

Conheci o José Carlos da Run Advisor por alturas do Natal, mas ele não me conhecia.

Foi um amigo comum, treinado por ele, quem me o apresentou, estávamos no jantar de natal da ZFortes, a nossa escola de Muay Thai.

O meu amigo, o Zé Duarte, tem 50 anos, despediu-se há semanas do emprego de 25 anos. Era chefe de oficina. O Zé faz ultra-trail, este ano vai fazer o mítico Mont Blanc.

Dizia-me ele que descobriu o José Carlos na internet.

O Zé precisava, como eu, de um especialista que o ajudasse a fazer as coisas bem feitas.

Nessa noite comprometeu-se a meter em contacto comigo o seu treinador, mas não estava totalmente certo que eu conseguisse ser treinado por ele. Não custava tentar. Tentei.

Consegui.

No sábado trocámos mensagens, na segunda feira estávamos frente a frente, pela primeira vez, eu e o meu treinador.

Não é difícil criar empatia com o José Carlos, é reconfortante ouvi-lo falar sobre corrida, sobre treino, sobre nutrição, sobre recuperação.

Depois de fazer uma análise visual aos meus pés e às minhas pernas, depois de um questionário ao qual tive que responder, saímos para uma corrida de cinco quilómetros.

Estamos em testes.

Fizemos 33 minutos, entremeados com meia dúzia de metros de caminhada.

Senti necessidade de chegar a um especialista porque quero preparar a maratona, com pés e cabeça, sem ter que navegar à vista.

Em teoria, em Maio, fazia-me à estrada, adiámos para Junho ou Julho, porque precisamos das próximas quatro semanas para recuperar os estragos que permiti infligir a mim próprio.

Mas, aqueles que me conhecem e que me acompanham sabem que os últimos dois anos têm sido um pesadelo para mim.

Para não cair na rotina de deixar de correr, tenho corrido, diariamente, cheio de dores musculares nas pernas.

Até à semana passada, durou dois anos, nunca tinha decidido ir à oficina.

O José Carlos percebeu imediatamente as minhas dificuldades e os meus condicionalismos físicos.

Os meus gémeos não enganam.

Agora, para além de começar a corrigir algum desalinhamento provocado por uma gravíssima lesão que tive em 2004 ( altura em que quase tiveram que me amputar a perna ), tenho que eliminar estas dores.

O objectivo é a maratona, mas esta é agora a prioridade.

Se não recuperar não consigo aguentar os treinos que estão para vir, e se aguentar, seguramente, não conseguirei acabar a Maratona.

E, isso é ver desabar tudo à frente dos olhos.

"Deves ter uma enorme capacidade de resistência, não sei como conseguiste correr durante dois anos com as pernas nesse estado", disse-me.

Coisa pouca, fibroses e contracturas musculares crónicas.

Resumindo, os músculos enrolam-se uns nos outros, devido a vários factores, e provocam dores enormes.

Tenho umas 3 ou 4 na perna esquerda, a que sofreu o acidente, e umas 4 ou 5 na perna direita, que durante anos tem suportado a cobardia da esquerda, porque entretanto criei um desconforto na planta do pé, fruto da defesa que a própria perna decidiu encetar.

Chamam-lhe verruga plantar. Chamo-lhe prego espetado no pé.

Não tem sido fácil, não me estou a queixar, e sei que o que está para vir será, provável e igualmente duro, mas cada quilómetro da vida é ele próprio duro, e eu gosto da dureza e do desafio, sem o desafio sou outra coisa qualquer.

Alonguei, no final, fizemos massagem profunda, dolorosa e conversámos mais um pouco.

O enigma é perceber porque tenho estas contraturas crónicas e a prioridade, como disse é eliminá-las.

Desconfiamos que a causa está relacionada com a alimentação deficiente.

Espantado, ficou o José Carlos quando me questionou sobre os meus hábitos alimentares.

Ao logo dos anos e das leituras e das corridas foi-me fácil perceber que o regime alimentar de quem pratica exercício é decisivo. Mas, nunca interiorizei que estava obrigado a isso.

“Bebo um iogurte e um café, vou treinar, como um pastel de nata e um café, vou trabalhar…”

“E o jantar?”

“Como uma tosta e um sumo…”

“E, de madrugada, quando chegas a casa?”

“Bebo bebida de arroz e como o que houver, uma broa, por exemplo”.

“Conclusão: não te alimentas!”

Confesso que tive vergonha.

Nos últimos dois anos, para além das dores permanentes que me obrigavam a sofrer mais do que era suposto, nunca consegui, durante esse período melhorar a minha corrida, antes pelo contrário, chegando ao ponto de querer desistir.

“Tens que mudar os hábitos alimentares já hoje, tens que ingerir proteína e hidratos, tens que ir hoje a um nutricionista”.

E, fui.

Conversei com a Mariana Gameiro, que até dá consultas online, e pouco tempo depois de me ter despedido do José Carlos, na Beloura, já estava a comer frango, com feijão e arroz, e um ovo estrelado extra. Repeti a dose ao jantar e hoje, ao almoço, já ataquei peito de frango, com salada e arroz.

Como as análises clínicas que fiz estão boas, tirando o exorbitante colestrol, começo a concluir o que me disse ontem o meu treinador, é da alimentação, que eu não fazia.

O carro não anda se não tiver combustível, é tão simples, e eu sou tão estúpido.

O meu treinador decidiu que nas próximas duas a quatro semanas não há corrida, para recuperar as pernas, apenas trabalho específico de ginásio, regime alimentar cuidado e muitas massagens daquelas que fazer chorar, mas que depois fazem sorrir.

Estou a seguir tudo à risca, de tal forma que nunca antes as pernas me doeram tanto como hoje.

É das massagens.

Quinta feira há mais e há reavaliação destas primeiras horas.

Quase não mexo as pernas, de tão doridas e pesadas, mas já consigo sorrir.

Ora, voltando ao início desta crónica, se alguém (que nem sequer conhecias) te provoca esse momento intensamente mágico que é um sorriso, esse alguém ficará na sebenta da tua história.

Mais do que o sorriso é a mudança que estou a viver;

Estou a lutar por um objectivo, estou dedicado de alma e coração, estou a adaptar a minha vida pessoal e profissional e a sacrificar, em nome desse desafio.

Eu sei que vou correr a Maratona, não que lhe tenha perdido o medo, só que quando me desafio os medos transformam-se em determinação e em coragem.

Se ontem eu queria correr os 40 e dois quilómetros e picos e terminar bem, hoje eu quero correr a Maratona em menos de quatro horas.

E vou conseguir.

Porque as pernas vão parar de me doer e eu já voltei a sorrir.

É assim que tem que ser e assim será.

Ah, e prometo comer a sopa toda.

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publicado às 21:00

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Há decisões que os adultos tomam na vida que não passam de impulsos.

Depois vem o resto, quando te colocas frente a ti mesmo e percebes que não há caminho de volta.

Se há quatro anos não imaginava correr um quilómetro, sequer, muito menos sonhava correr meias-maratonas.

Já corri uma dúzia delas.

Mas, esta não é uma crónica sobre um corredor de fundo, das corridas.

Esta é a primeira crónica sobre um corredor de fundo, da vida.

Aprendi a partir de trás, lentamente, até atingir o ponto de rebuçado, a frente.

Percebi que por vezes a luz ao fundo do túnel não passa, apenas, do combóio que se aproxima.

Nessa encruzilhada a decisão segue o seu impulso, apanhas o combóio ou ficas na eternidade de uma dúvida, se a luz existe, lá ao fundo do túnel?

A minha vida é como a minha corrida;

Comparo as decisões, os impulsos, a dor, a alegria, o suor, o descanso merecido, o bom e o mau, que somos todos, porque o caminho não o escolhemos, apenas o calcorreamos.

Desde que há quatro anos comecei a praticar exercício físico com regularidade que sempre me recusei a alimentar a ideia de correr a prova que transforma um qualquer num maratonista;

A Maratona (com M grande).

 

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publicado às 16:26

SEM O TEU ABRAÇO MORRO AQUI MESMO

por The Cat, em 09.01.18

 

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É estranho ter 48 anos.

Acabei de os fazer.

Ainda mantenho os olhos fechados.

Pareço recusar-me, eu que nunca recuo.

Nunca me irei habituar a ser um pau-mandado do tempo, ocorre-me.

Serei sempre um resignado “transgressivo”, tento convencer-me.

Mas, é inevitável, o tempo passa por mim, ao seu próprio ritmo, como uma rebarbadora que vai deixando marcas, que atenuo por aqui, por ali, em mares convulsos, mares que às vezes vão dar à costa, onde alguém espera por mim, para me abraçar, apenas para isso.

Lembra-se quando foi a última vez que abraçou alguém?

Eu lembro-me, foi agora mesmo.

É disso que tenho mais saudades.

Porque daqui a 48 anos terei 96.

Porque daqui a dois  anos terei 50.

Porque daqui a 10 terei 58.

Porque esta merda já não pára, tomei consciência disso, nestes dias em que demorei a reflectir sobre este texto, que afinal não está a sair nada do que eu pensei.

Eu tinha pensado em escrever sobre cenas que ainda quero fazer, determinações com poucas horas de vida, porque a vida não tem horas. Ela passa a abrir.

Em teoria, era um texto sobre os sonhos que um gajo com 48 anos ainda pode ter, porque toda a vida tem sido acompanhado por sonhos, e mulheres, e amor, e os abraços…

Aos passar para os 48 decidi começar a medir a vida em dias, depois em semanas, depois em meses, depois em anos.

A baliza é o próximo ano, como dizem os treinadores da bola, o próximo jogo, jogo-a-jogo.

Agora, dos 48 aos 49, se lá chegar, que assim a coisa atenua-se.

Já se viu um gajo com barba querer relançar o seu canal no youtube,  conquistar um público, divertir-se?

Já se viu um gajo que quer mudar o rumo, encher velas e partir, e descobrir, levado pela maré, guiado pela fé, que a fé é coisa dos homens?

Já se viu um gajo voltar a querer ter vontade de rir, de ir, de abraçar?

Era sobre isto que este texto devia ser.

As ideias que criei, as ideias que me vão guiar.

Coisas de um puto com barbas.

Claro que é possível seres um puto com barbas, experimenta-me:

  • Leva-me o pequeno-almoço à cama
  • Enche-me uma banheira com moedas de ouro
  • Compra-me o último smartphone que saiu
  • Anda comigo ali
  • Beija-me o coração
  • Mostra-me o destino
  • Dá-me a mão
  • Abraça-me

isso,

abraça-me, é o que me basta.

O resto vou fazendo, que conto chegar aos 96.

Mas, sem o teu abraço, morro aqui mesmo, à frente de toda a gente.

 

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publicado às 16:20

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Admito que a minha opinião valha zero, ainda assim,

é a minha. 

Não leia esta frase de forma errada, nem a entenda envolta em uma qualquer energia negativa, que isso são coisas de gente que acredita em "males olhados".

Nem uma ponta de ironia ela tem, a frase.

Acontece que, quando me dá na bolha - todos os dias - escrevo.

Um libertador de tensões, medos, inseguranças, olhares e profusões que emanam do fundo, do mais fundo de tudo aquilo que vivo nos meus dias.

São dias solitários.

Noites em que acordo de um dia passado a cerrar olhos tensos, que teimam em pesar.

A minha opinião só é válida para a minha própria construção das realidades que me salpicam a cara, sal, voar, enquanto dezenas de ideias tentam aproveitar-se de mim, baralham-me o ritmo do teclar, tecla-a-tecla. Até ao ponto final.

Vem tudo isto a propósito das azevias.

Isso,

O que vou dizer vai chocar os dois ou três leitores desta crónica desalmada tocada por baixo da guitarra da Tash Sultana, que apresentei ao puto Isaac, na Chapa 12, que saio de lá sempre com menos cinco anos, dois, vá, que o cabelo fica vintage e a barba quase me permite dizer que já sou um homenzinho.

Por isso, cá vai,

Não sou gajo - gajo escreve-se sem i, que eu sei escrever, pontuo tecnicamente mal, mas escrevo mais ou menos - de sol e de calor.

Admito, finalmente.

Também não sou gajo do inverno, credo, cruzes, canhoto.

Sou apenas um ser humano que adora o outono.

Uma das razões prende-se com as azevias.

Há as de grão, de batata, de batata doce e - a gata saiu agora disparada das minahs pernas e cravou-me as unhas, sem querer, da silva - aposto, dizia eu, que as "vizinhas do Forno" vão inventar azevias de pastel de nata.

Estou em crer!

Todos os dias, às vezes duas vezes por dia, vou ao Forno,

- "Bom dia, vizinhas..."

- "Bom dia, vizinho, está bom?

Ontem vi-o, óh vizinho, você fica tão bem no ecrã, com gravata, óh vizinho..."

Às vezes cruzo-me com a Bruna, e há também o senhor Justino, ex-mecânico de carros.

Uma rotina que tem anos, uns dez, talvez.

Enquanto o Outono não chega é uma bica e um pastel de nata, já provei os pampilhos, as bolas de berlim são muito grandes. Adoro as sandes de ovo.

Mas, quando chega ao outono, minha mãezinha, as azevias toldam-me a mente.

Ontem, por engano, comi uma de batata doce, que eu gosto mais das de grão.

É as que como ( comia ) sempre.

- " Vizinha, isto é maravilha..."

- " Vê, vizinho, eu sabia que ia gostar, não quero que vá para ali para o ecrã com fome..."

No Forno a televisão está sempre na TVI, e com o volume alto, que aquela gente começa a trabalhar quando eu chego a casa do trabalho, lá para as duas e meia da manhã e, confessou-me a Bruna uma vez, o som alto mantêm toda a gente alerta, entretida, acordada.

São os pastéis de nata no verão e na primavera, são as azevias no outono e os sonhos no inverno, que eu sou gajo de sonhos.

Sonho muito.

Na verdade, isto das azevias tem que se lhe diga.

A massa deve estar entre o estaladiça e o tenra.

O recheio deve ser doce, pouco, deve misturar-se com a massa e provocar uma explosão interior, uma emotiva mistura.

O café quase que se sente inferiorizado, mas ele percebe que as massas não são todas iguais.

Posto isto vou correr, ou treinar Muay Thai.

- "Então vizinho, de folga? já foi treinar hoje?..."

- " Vizinha, não gosta mesmo de mim, só quer  ver-me a trabalhar..."

- " Sabe que gosto muito de o ver no ecrã..."

- "Eu sei, vizinha, olhe, dê-me uma azevia e uma bica, se faz favor, que tenho que ir queimar calorias e se não as meter cá para dentro é mais difícil..."

- "O vizinho é um malandro..."

- " Não sou nada..."

Penso eu, por vezes temos que tomar o controle das situções, sobretudo quando todo o café está a olhar para nós, enquanto o açucar teima em colar-se à barba vintage, sem que isso me detenha.

Eles olha-me.

Eu saboreio a azevia e a bica.

Pago e saio, enquanto sacudo a barba, ali mesmo à frente da senhora que dá a sandes de queijo à menina, à frente dos dois homens que bebem uma cerveja, encostados ao balcão, da senhora que entra para comprar pão.

Todos eles vêem aquele triste quadro.

E saio porta fora.

As massas.

É preciso é entender as masssas, é o que é.

 

 

 

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publicado às 11:37

Os Trollibãs

por The Cat, em 26.08.17

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No outro dia, quando acordei, veio-me à ideia uma ideia.

Como sou trabalhador nocturno costumo levantar-me só ao fim da manhã.

Qual viciado a primeira coisa que faço é ver as redes sociais, depois os push ups. Fazia.

Aquilo começou a irritar o meu irritado acordar e decidi mudar de táctica.

As caixas de comentários dos digital media e das redes sociais são extremamente tóxicas, muitas vezes e isso, acho eu, influêncía o sub-consciente, pobre coitado, que nem sequer ainda lavou a cara.

Agora, qual viciado a primeira coisa que faço é acordar, depois, então, ligo-me.

Tem resultado. Tenho acordado mais bem disposto.

Há dias, enquanto bebia uma bebida de aveia com café, dei comigo a pensar num nome que retratasse alguma fauna que habita dentro do Facebook e Twitter, sobretudo.

Pequenos seres que desejam o extermínio virtual (às vezes real) de determinada pessoa, só porque sim. Pequenos seres que ostentam fotos na sua cronologia, nas quais somos todos isto e aquilo, até Charlies.

Esses são Talibãs.

Uma outra sub - espécie, que deriva dos Talibãs, são os Troll.

Pequenos seres que têm opinião imaculada, forte e imbecil sobre tudo e qualquer coisa. Só não opinam sobre o vazio das suas opiniões, julgando-se sempre detentores da sabedoria e da verdade. Nem sobre os muitos erros de português que dão.

O Facebook e o Twitter foram povoados pelos Trolls e pelos Talibã virtuais.

Eles nascem nas caixas de comentários dos jornais online, alimentam-se e partem para a sua aventura nas redes sociais.

Há, depois, as pessoas normais, urbanas, civilizadas, que respeitam, argumentam com ideias, e que também povoam as redes sociais, mas em menor número.

Troll com Talibã dá Trollibã, sem espinhas.

Engoli o último trago do meu café da manhã, sem leite, que isso faz-me azia, como os Trollibãs.

O que os lixa, na sua Sharia virtual é que os normais continuam a pensar e a retirar do mau algo de bom.

A saber,

Profissionalmente, através o Facebook (que o Instagram e o LinkedIn são outra coisa) consegui trabalho, arranjei trabalho, conheci pessoas, troquei ideias.

É lá que sigo quem me segue e ao meu trabalho, é lá que está o meu barómetro.

Pessoalmente, reencontrei amigos que há muito não via, soube do desaparecimento de outros, mas também dos aniversários de muitos, fui assediado, se calhar, sem me dar conta, ou não, assediei, resolvi problemas da tv cabo, comprei carro e mota, quase vendi a casa.

O ócio.

Farto-me de rir, por causa das coisas non sense que dizem e escrevem, e também porque há gente com imenso sentido de humor e inteligência, informo-me, vejo o mundo ao segundo, com fotos e vídeos, opino, “desopino”, desopilo.

Tudo isto no Facebook, que o Twitter visito poucas vezes, que aquilo é intelectuais a mais para um pobre como eu.

Tal como os Trollibãs que se me atravessam pela frente, silenciosamente, desopilam e só dão conta muito tempo depois.

Eu já fui Troll. Eu já fui Talibã.

Mas, eles não sabem. Nunca calçaram os meus sapatos.

Um amigo disse que inventei o “termo do ano”.

Não, respondi-lhe.

Eles existem, eu só os juntei, para os irritar.

Esta noite, o McGregor luta com o Mayweather.

Há lá alguma coisa mais alucinante que um bom e duro combate?!

Os Trollibãs também vão ver, mas não vão perceber rigorosamente nada.

 

(Vídeo nice, este, dedicado aos Trollibãs)

 

 

 

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publicado às 18:09

LEVEI OS PAIS AO PARQUE INFANTIL

por The Cat, em 05.06.17

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O meu domingo foi especial.

Levei os meus pais a uma corrida.

Foi, aos 65 e 68 anos, a sua primeira vez, e a minha, também.

Uma das mais belas manhãs dos meus domingos, e como os meus domingos são belos, mesmo aqueles que teimam em fazer-me cara de mau. Às vezes acontece-me o domingo fazer-me cara de mau, que não há dias perfeitos.

Nem eu sou perfeito, eu atraso-me, em tudo, até mesmo enquanto corro.

Mas, nunca me atraso quando vou correr, isso nunca.

Às sete e meia da manhã estava à porta de casa dos meus pais.

O meu filho disse que queria ir, o meu irmão também disse, mas eles são tão, mas tão parecidos, que até nesta falta de afecto, porque esta foi uma prova de afecto, eles falham da mesma foram.

Irrito-me, quando os meus não dão o valor devido às coisas, ao casamento, aos pais, aos momentos únicos.

Depois, tudo passa.

Eles ficaram a dormir, bons sonhos a ambos.

Foi a única coisa que me irritou, nesta especial manhã de domingo.

 

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publicado às 16:27

EM NOME DO PAI

por The Cat, em 03.06.17

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Zé Manel é um homem do Douro.

O Douro é ele próprio, dentro e fora de si. Salta-lhe pelos olhos brilhantes, por detrás daqueles grossos óculos de massa preta.

Basta olhar para ele.

Observa-se à primeira, entende-se-lhe os sinais e os segredos da vinha, da terra e do sol.

Também transporta chuva no olhar e vento na alma, que os olhos não mentem, nunca. Nunca nos mentem, os sacanas.

Zé Manel é um profundo, culto, sábio e exímio contador de histórias, histórias da vida, da vida dele, sobretudo, que pouco gosta de falar da vida dos outros.

Numa dessas noites, em redor da mesa grande, disse-lhe eu:

“O senhor conta histórias com tinta que lhe sai da medula”.

A frase é do Gabriel, o Pensador, o outro, não eu, não minha, desta vez.

Mas, não era fácil acompanhar aquela inteligência, sentada à minha frente, por isso plagiei, plagiador, me confesso.

Culto, intelectualmente muito desenvolvido, homem das artes, do vinho e da beleza, Zé Manel ficou a pensar que aquela frase do caraças era minha.

E, eu senti-me bem com isso.

Zé Manel é casado – há uma vida – com Luísa.

São das pessoas mais fantásticas que conheci até hoje, e olhe que já levo uns anos por cá.

Conhecemo-nos há uma semana, por alturas em que escrevo este texto, uma semana depois.

São ambos do Douro.

Herdaram a Quinta da Senhora da Graça, ali pelos lados de Santa Marta de Penaguião.

A filha, produtora de cinema e televisão vive em Lisboa, visita-os regularmente, naquele refúgio que deve continuar secreto – ou quase – para todo o sempre.

São gente feliz, gente boa, gente de quem não apetece sair de perto.

Cheguei na quarta feira, a corrida era no domingo.

Na primeira noite dormi. Ponto.

Na segunda noite chamaram-me, e eu fui.

“Carla, tenho ali um arroz de forno e vou fazer umas alheiras, querem vir?”.

Fomos.

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Ali ficamos pela noite dentro, comendo, bebendo, conversando, que à mesa, no Douro, conversa-se.

Zé Manuel é um homem marcado pela guerra. Nunca a quis, nunca a entendeu, nunca a esqueceu. Nem ao pai.

Chamava-se Armindo Lopes.

Nem a mãe, li, olhos molhados, um dos muitos poemas que Ze Manel escreveu, durante a guerra.

Operações Especiais, na Guiné.

 

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publicado às 20:53

CORRIDA A CORES

por The Cat, em 16.05.17

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(Huwaei P10 & Leica)

 

 

Dois dias sem correr é o suficiente para me deixar cheio de comichões, a sentir-me inchar, deixa-me inquieto, ao mesmo tempo sinto as pernas a aliviar.

É uma sensação de bem-estar disfarçada, que eu sei.

Dois dias sem correr é o meu limite.

Vem isto a propósito da foto que acompanha este texto, lá em cima.

 

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publicado às 21:38

ISTO FOI UM PEDAÇO DO MEU DIA

por The Cat, em 12.05.17

Coisas minhas, que partilho, porque acredito.

Acredito que longe da multidão nós não somos aquilo que parecemos.

Foi um pedaço do meu dia, em paz, paz de corrida.

 

 

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publicado às 21:40

EU, CORREDOR, ME CONFESSO

por The Cat, em 12.05.17

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Encontrei muitos peregrinos nestas duas últimas semanas.

Quando digo muitos quero dizer muitos mesmo.

Vinham todos da Estrela do Sul, lá do lado longe, que lhes oferece a caminhada obstinada, que se-me atravessam ao caminho, de frente, fé.

Durantes as duas últimas semanas encontrei e cruzei-me com muitos peregrinos, todos os dias, enquanto corria no meu santuário espiritual, junto ao meu rio de afectos. Via-lhes no rosto, afecto, felicidade, ou quando saía da auto-estrada, para entrar no meu mundo secreto, casa, família, trilhos.

Todos os dias, nas duas últimas semanas.

As imagens que guardo são dos dias de corrida.

 

 

 

 

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publicado às 21:13


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