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ENSINASTE-ME A CORRER

por The Cat, em 25.10.15

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Ainda não te contei da meia-maratona de domingo, pois não?

Não foi por mal, eu sei que já passaram oito dias, mas sei que entendes, como sempre, só não te contei, ainda, porque nunca mais te vi, junto à máquina do café, sempre na dobra, quando as moedas não me chegavam.

Mas correu-me bem, não te preocupes, daqui nada já te conto.

Sabes, o que me incomodou foi o texto.

Ele esteve pendurado nestes últimos oito dias, por tua culpa. Nem vais acreditar.

O Word aberto, em branco.

Quis lá correr, mas não tive forças, até hoje. Hoje corri sem forças, mas fui até ao fim. Escrevi.

 

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publicado às 22:54

O DIA EM QUE CORRI A MEIA MARATONA

por The Cat, em 19.10.15

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O dia 18 de outubro de 2015 começou cedo, muito cedo.

As emoções estavam ao rubro, os nervos à flor da pele, a tensão localizada nos ombros e com poucas horas de sono. Acordei às 4h48 com ânsia de sair de casa rumo ao desafio a que me propus – correr a meia maratona. E claro que tinha se ser uma prova na cidade que me viu nascer e que eu amo, Lisboa!

 Mas antes de contar como foi a minha experiência de correr a meia maratona, vou fazer algum enquadramento de como cheguei até esta realização!

Há muito tempo que queria correr uma meia maratona.

Por um motivo ou por outro, nunca me preparava fisicamente para a prova e vinha adiando este acontecimento. Sou praticante regular de desporto: corrida, treino em ginásio – cardiovascular, yoga (atividade recente), padel e atividades físicas ao ar livre, de forma geral. Costumava correr de vez em quando mas desde 2014 que corro com mais regularidade e tenho participado em algumas provas.

Corro sempre que preciso de libertar más energias ou tensões e a corrida é ideal para isso.

No final de 2014 comecei a ter alguma dificuldade respiratória sempre que corria ou fazia alguma atividade cardiovascular mais intensa ficava com uma espécie de pieira (como os gatos) e custava-me respirar nos momentos imediatos a essa atividade.

Entretanto vieram os espirros, muitos espirros mesmo e uma ligeira alteração na voz (mais nasalada). Fui ao médico fazer exames, fui mais uma vez e entretanto, no início de 2015, um pneumologista da CUF diagnosticou-me asma.

Ora, que bom. Ganhar asma aos 30! Que bela prenda, hein!

Recordo-me de algo que o médico me disse e que me marcou…”A Rosa Mota também tinha asma e corria maratonas!”. Se assim é, tudo bem! 

Não sou mulher para me deter por causa de uma simples asma; quando surge um obstáculo na minha vida trato de o transformar em algo que me ajude a aprender e a evoluir.

A dificuldade acrescida que a asma me trouxe para a corrida é o facto de ser muito mais difícil controlar a respiração e canso-me mais rapidamente. Habitualmente, só por volta dos 4/5Kms é que me sinto melhor a nível respiratório e consigo correr sem ter de me focar absolutamente na respiração.

O início das provas é sempre o momento mais difícil para mim. A partir dos 5Km há o efeito de “boost” e eu consigo prosseguir a viagem, sem problemas de maior.

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Foi mais ou menos no fim de Agosto, deste ano, que decidi concretizar a minha intenção e inscrevi-me na Rock´n´Roll Meia Maratona de Lisboa.

Intensifiquei alguns treinos, frequência das corridas, ritmo e distância percorrida. Para mim era pacífico correr 10km, todavia, apenas fiz uma prova de 17km no dia 3 de outubro, no dia antes fiz uma pequena lesão nos tecidos/ligamentos do pé esquerdo, o que fez com que estivesse sem correr 2 semanas antes da prova.

Nessa altura tive receio, pois o meu objetivo podia estar comprometido.

Nesse intervalo de tempo, valeram-me as duas sessões de osteopatia (com a fantástica Ana Rodrigues), duas aulas de yoga pelo caminho, alguns exercícios de alongamentos, usar meia de compressão e uma semana inteira sem usar sapatos de salto alto (o que não é habitual).

 Sim, estava nervosa, receosa, excitada, eufórica, entusiasmada e com muita vontade de cortar a meta, bem sem problemas físicos de maior.

Tinha receio que me doesse o pé, pois estava em recuperação. Além disso, não corria há duas semanas (algum nervosismo por isso). A juntar a estes dois fatores, havia o prenúncio de mau tempo – vento e chuva. Ora, para uma primeira vez numa prova destas são coisas que se dispensam.

Acordei cedo a pensar que já eram horas.

O despertador estava previsto para as 7h00 mas eu acordei cerca de duas horas antes, ansiedade, ansiedade que chegassem as 10h30 para começar a prova! 

Arranjei o equipamento necessário: roupa, calçado, acessórios (nem o baton faltou!) e os suplementos necessários a uma corrida desta natureza, afinal são 21km.

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O dia amanheceu chuvoso e eu só pedia para que não chovesse muito, vá, só um bocadinho para refrescar!

Tomei o pequeno-almoço a correr… (não literalmente) e saí de casa rumo ao Parque das Nações.

Cheguei e arranjei lugar para o carro. Tinha encontro marcado, às 8h30, com dois corredores, também estreantes na meia maratona: a Diana e o Tiago.

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Apanhámos o autocarro até à partida na ponte Vasco da Gama, e que viagem demorada. Já na ponte caminhámos rumo à zona de partida. Havia um mar de gente à frente. Mas, antes de começar era importante tirar uma foto num sítio onde não é habitual andarmos a pé – a Ponte Vasco da Gama, e com Lisboa como pano de fundo.

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No início da prova, eu estava com um pico de adrenalina enorme, queria tanto isto, queria que corresse bem!

Às 10h30, hora do início da prova, eu estava ainda muito longe da linha de partida. Andei alguns metros e depois comecei a correr devagar, passei a linha de partida às 10h38m.

Comecei devagar porque havia muitas pessoas à volta e eu queria guardar energias para o fim.

E lá fui eu e a Diana, a minha parceira de corrida. O objetivo era irmos num ritmo constante a rondar os 6m20 de ritmo médio (ou um pouco menos se nos sentíssemos bem). O início foi entusiasmante ao som de música rock, mas começamos num ritmo calmo.

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Adoro ver a mancha de gente reunida rumo a um mesmo objetivo e unidos por uma mesma energia. E havia muita energia positiva no ar, sentia-se! Os corredores apoiavam-se “bora lá”, “força”, “tu consegues”, “estás bem?”, “estamos nisto juntas”.

Não houve sinais de chuva, apenas algum vento (que a meio da corrida fez abrandar um pouco o ritmo).

Os primeiros 5km, bom, nem dei por eles passarem. A respiração estava controlada.

Aos 7km pensei: “estou muito bem, estou a gostar”.

Mas aos 8km surgiu algo de novo para mim – dores nos joelhos (coisa que nunca tinha sentido em corridas). A dor começou a persistir, abrandei um pouco o ritmo para tentar controlar a situação.

A dor manteve-se até ao final da corrida e eu tive de a ignorar. O desejo de cortar a meta era mais forte que qualquer dor que pudesse surgir, esta é a verdade.

A minha parceira de corrida estava com cãibras e não estava fácil.

Tentei incentivá-la, fazer com que a dor passasse para segundo plano – “nós conseguimos Diana”, dizia-lhe eu.

A Marta, que fez a sua primeira meia maratona no Porto no mês passado disse-me que “a prova começa aos 16km” e eu agarrei-me a essa mensagem.

Aos 16km eu estava bem (as dores nos joelhos ainda perduravam mas eram relativas). Continuámos a um ritmo relativamente constante, o importante era chegarmos bem à meta!

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Aos 18km eu ainda estava com energia. A minha parceira continuava com muitas dores e lá continuámos. Aos 19km eu disse-lhe “chegámos até aqui, agora os km restantes são fáceis, a prova está feita!”.

Agarrei-lhe na mão para irmos juntas e fomos, durante uns 500m, mas as dores teimavam em não desaparecer. Eu queria tanto chegar à meta, depressa.

Queria que chegássemos as duas, mas tomei a opção de correr sozinha e ao km final o meu corpo “pedia” para dar mais. “Diana, não te importas que eu vá?”, disse-lhe, “eu preciso!”.

 E lá fui eu, acelerei no km final, não sei com que energia, mas eu tinha e muita, ainda.

E corri pela Avenida D. João II onde havia pessoas a apoiar de ambos os lados da estrada mas eu não vi ninguém, naquele momento só estava ali eu e mais alguns corredores que eu fui passando no meu sprint final.

E naqueles metros finais eu senti um fluxo de energia que corria nas minhas pernas e nos meus braços, uma verdadeira libertação de endorfinas.

E eis que vi a meta, eram os metros finais e eu corri, corri, corri até à meta onde libertei uma boa quantidade de ocitocina e atingi a felicidade ao cortar a meta. Sim, eu estava muito feliz!

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Consegui e sentia-me maravilhosamente bem. Sinto-me muito orgulhosa de mim por me ter superado. E sei que podia ter feito melhor tempo, mas esta prova não era uma corrida contra o tempo. Não.

Esta corrida era para atingir um marco e, acima de tudo, para me divertir. Foi isso que aconteceu e eu estou feliz!

E obrigada a todas as pessoas que me apoiaram, que me deram força e que acreditaram em mim!

Vera Borges,

a miúda que correu a sua primeira meia maratona e que está muito feliz com isso! 

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publicado às 11:35

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(Passeio Ribeirinho VFX - Ontem) 

 

Continua a minha (não) preparação para a meia maratona de domingo.

Hoje foi dia de dormir.

O chamado treino passivo. Dormi até ao meio dia.

Depois fui ganhar core, tinha que dar uma entrevista, na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa (passa terça, na RTP2).

O treino ia a meio e o meu dia também – estou em outra latitude e fuso horário -.

Voltei a casa, dormi a sesta e vim apresentar notícias, mas só quando o dia mudar.

Gosto do dia a mudar, gosto de mudar o dia, de entrar num dia e sair no outro, separados por uma hora e meia, o mesmo tempo que dura um treino de Muay Thai, menso meia hora e picos que demoro a correr a meia maratona.

Estou em contagem decrescente.

Esta sexta feira vou levantar o dorsal.

Domingo é dia da raça, de a mostrar, a minha raça, a que tenho aprendido a ter e fazer uso, mostrá-la só a mim.

Parece que não, mas eu faço isto por mim, para mim. Tudo o resto faz parte do “show”, assumidamente.

Vou levantar o dorsal, depois de mais um treino de Muay Thai, pela manhã.

É o tal cheiro fresco do Napalm.

Até domingo não corro mais.

 

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publicado às 21:32

FIA-TE NA VIRGEM E NÃO CORRAS, ZÉ GAB

por The Cat, em 14.10.15

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Acho que estou a brincar com o fogo.

Domingo vou à minha sétima meia maratona.

A primeira para a qual não me preparei minimamente.

Aqui o fogo com que estou a brincar traduz-se em 21 quilómetros e mais cento e poucos metros.

Falar sobre uma meia maratona é fácil até para quem não corre.

Quando começamos a falar sobre os quilómetros que se correm numa meia, então, até aqueles que não correm ficam cansados só com a conversa.

Não é fácil. Nada fácil, por muitas fotos bonitas que as redes sociais nos mostrem.

São mais de 20 quilómetros a correr. Eu fico-me pelas duas horas, às vezes duas horas e pouco.

Comecei com quase três horas, há três anos. Se sou um vencedor?

Depende, eu acho que sou. A minha competição é comigo, todos os dias e também nos dias das meias maratonas.

Desde que comecei a treinar Muay Thai – e me viciei – que me divido entre a luta e a corrida.

A corrida não ficou para trás, apenas se sente partilhada, e tem que aguentar, paciência.

A semana tem sete dias, eu treino seis.

Todos os dias corro distâncias curtas. Ao fim de semana (Sábado) faço uma longa, entre os 17 e os 21 quilómetros. Em seis dias faço quatro treinos de Muay Thai e dois de corrida.

Estou preocupado. Nunca fui a uma meia maratona assim.

“ Em dois meses corri apenas três vezes longas distâncias”, disse há dias ao meu mestre.

Um mestre ensina, mesmo quando acha que não. A resposta que tive foi esclarecedora, embora não me tenha convencido.

“ Se não estás preparado, porque vais?”.

É por aqui que passa. Se não estás preparado para algo, porque vais? As probabilidades de falhar são maiores, de longe.

- “Porque gosto de participar, se não fizer duas horas faço duas e vinte…”

- “Se é para participar apenas então vai, mas diverte-te”.

 

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publicado às 17:53

FURACÃO ADELINO

por The Cat, em 12.10.15

 

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Nem sei por onde começar.

Assim sendo, vou começar pelo Joaquim.

Joaquim é um furacão.

Há depois muitos outros furacões (os furacões têm nomes masculinos e os ciclones nomes femininos), e há o furacão Adelino - já que se trata de furacões com nomes portugueses -, mas sobre esse já lá vamos.

A minha preocupação é com o Joaquim, o furacão com nome tuga, que muitos quiseram reduzir à condição de uma reles tempestade.

Há coisas que não se fazem, nem às tempestades armadas aos furacões.

Nunca vi o Algarve assim nesta altura do ano.

Lado positivo: um Algarve diferente, com chuva, fresco, pouca gente, ondas grandes e sol, sim, o sol apareceu, mal viu o Joaquim pelas costas e a família dentro do carro,rumo a casa. Uma tempestade armada ao furacão.

Sacana do Joaquim.

 

 

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publicado às 02:29


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